FORMAÇÃO DE ATLETAS DE FUTSAL OU DE INDIVÍDUOS PARA A VIDA

Ao longo dos meus dezesseis anos de experiência como professor de Educação Física, sempre trabalhei em escola de futsal, (COFRACARMO), imaginando formar atletas profissionais, mas logo consegui ver que na minha escola de futsal quem participava eram crianças, que estavam ali para ter o prazer de praticar o jogo, de brincar, sorrir e de fazer novas amizades.
Com muitas trocas de experiências com vários profissionais da área e de outras áreas, com muitos cursos e muita leitura cheguei à conclusão que tinha que usar o futsal para ajudar na formação do cidadão e não só visando a competição. Das crianças que trabalharam comigo na iniciação, três ou quatro praticam o futsal em forma de competição até hoje. Os demais, hoje são profissionais de outras áreas como: Dentista, Professor, Juiz de Direto, Farmacêutico, Engenheiro, Advogado, enfim, várias profissões que usam o futsal como qualidade de vida.
O que quero dizer com isso, e que nós, profissionais da Educação Física não devemos nos preocupar em somente em formar atletas profissionais e sim trabalhar o bem estar, o caráter, as qualidades necessárias para que o nosso aluno seja um cidadão alegre e cheio de vontade de praticar o futsal, seja ele como profissional ou como esporte preferido em suas horas vagas.
Quando uma criança deixa de participar das aulas de futsal, logo achamos que ele não gosta de jogar, mas isso é um erro nosso. Devemos fazer uma reflexão da maneira que trabalhamos com essa criança e não transferir a responsabilidade por ter parado de praticar.
Talvez ela chegue com muita vontade de brincar de futsal, e não de iniciar um treino visando somente resultados. A criança não tem estrutura física e psicológica para aceitar regras rigorosas, devemos fazer das nossas aulas de futsal, uma recreação com normas e regras prazerosas, que façam com que a criança corra, chute, drible, ganhe, perca, mas que tenha vontade de voltar no dia seguinte.
Também tenho conhecimento do outro lado que o sistema (colégio escolas estaduais e privadas, associações) querem resultados, achando que isso vai trazer algum benefícios para seu estabelecimento.
Acho que o maior beneficio é manter a criança em atividade e não nos resultados alcançados, por isso hoje o meu trabalho é direcionado a formação de um cidadão. E que o futsal esteja sempre presente em sua vida, como profissão, esporte preferido ou como paixão.


Professor: Ronildo Luiz Morra
CREF. 303 G/PR
ronildomorra@hotmail.com
Guaíra - PR

O FUTSAL ENTRE O CULTO AO SUCESSO E O FUTEBOL

Ao iniciar em uma escolinha de futsal, em muitos casos na primeira infância, muitas crianças têem, de certa forma seu futuro traçado, na imaginação de alguns da seguinte forma: FUTEBOL (ESPORTE RENDIMENTO), FAMA, SUCESSO E CONSEQUENTEMENTE MUITO DINHEIRO. Este pensamento, ao meu ver, está totalmente à contra-mão do que deveria ser o esporte para jovens, algo que auxiliasse na formação do sujeito como um todo, tanto fisicamente, psicologicamente e socialmente.
O que percebe-se hoje é uma flagrante aceleração de todos os processos em que a criança, o adolescente e o jovem de uma maneira geral está envolvido no esporte para obter-se resultados, marcas e performance, exige-se em demasia deste indivíduo, sem respeitar o seu desenvolvimento na parte física e psíquica, em muitos casos acarretando transtornos irreversíveis à sua formação.
No futsal isto é flagrante, crianças iniciam aos 5 ou 6 anos de idade, o culto ao sucesso já é declarado, sendo assim esta criança muitas vezes estará privada do seu direito maior, desenvolver-se brincando.
Há algum tempo no esporte, percebo que com toda esta cobrança, dificilmente a maioria chegará ao "sucesso" como alguns querem, através do esporte, sucesso não quer dizer esporte de alto rendimento (futebol de campo), e sim ao meu ver sucesso é muito mais , é ser uma pessoa autônoma, capaz de realizar coisas e tomar decisões, ser uma pessoa saudável e ter um bom relacionamento na sua vida social.
Muitos não enxergam isso, o sucesso no futebol (esporte de rendimento), depende de uma gama de fatores que muitas vezes fogem do complexo desejo de um adulto em cultuá-lo. O futebol como a maioria dos esportes de rendimento é muito seletivo, poucos atingem a excelência em suas modalidades, logo então este culto exacerbado ao sucesso através do esporte para mim torna-se idiota e ineficaz.
O futsal do qual faço parte representa em muitas situações esta famigerada vontade de ter sucesso através do esporte quebrando-se etapas, gerando frustrações inoportunas e consequentemente trazendo um compromentimento à formação integral do ser humano, que para obter sucesso em sua vida não precisa ser um Ronaldinho (futebol), Michael Jordan (basquetebol), Falcão (futsal), Roger Federer (tênis), Giovanni (vôlei) e outros mais que foram bem sucedidos em suas carreiras esportivas, e sim basta ser autônomo, um indivíduo com sucesso em qualquer carreira que possa seguir, saudável e bem relacionado perante os outros.

VINÍCIUS DOS SANTOS FRANÇA
ESPECIALISTA EM FUTSAL
TÉCNICO DO PARANÁ CLUBE NAS CATEGORIAS SUB 15 E SUB 17

Segue uma declaração de um Pai, que teve seu filho iniciado desde a categoia mamadeira, e viu os "grandes craques" e as promessas se perderem no processo e tornarem-se fracasso, fato normal em meus 19 anos de profissão. Hoje seu filho está com 17 anos e continua jogando, e cada vez melhor, nunca foi promessa de futuro fenômeno, mas sempre um ótimo jogador e boa pessoa, admirado por todos.

A APRENDIZAGEM DO FUTSAL AOS OLHOS DOS PAIS

A sistemática parece simples e deve refletir muito bem o que pensam outros " pais atletas " como eu. Entenda-se que o termo " pai atleta " encontra-se entre aspas, pois seu sentido indica apenas pai de atleta e não praticante ativo do esporte.
A trajetória inicia-se de forma muito simples: em torno dos 3 a 4 anos de idade, o pai não consegue mais segurar a barra em casa, do filho que quebra vasos, danifica móveis, suja a pintura, etc, etc, dentro do apartamento.
A conclusão dos pais é que o filho necessita de atividade esportiva, além daquela da pré-escola ou do maternal Conversando " seriamente " com a criança, a decisão é uma só: vamos praticar esporte de forma estruturada e com acompanhamento pedagógico.
Depois, deve-se descobrir qual o esporte. Nesta faixa etária, não se discute muito: é futsal.
Nem tampouco discute-se o local: apesar de ser a vontade do pai que se pratique o futebol no seu clube do coração ( do pai, lógico ) , acaba-se definindo mesmo que será na escola.
Escolinha paga, material esportivo pago, locomoções e viagens pagas, inscrições pagas, mensalidade paga - obviamente pelo " pai-trocínio ", não há outra forma.
Em seguida, vem a fase do " mico " : pais e mães gritando na arquibancada que o árbitro é cego, que o treinador não entende e que do outro lado somente enxergam-se inimigos. Isto dura aproximadamente 4 anos, até a categoria mirim, quando as crianças pedem aos pais que não organizem mais as torcidas, nem estourem bexigas, muito menos joguem balas na quadra ao final dos jogos, independente dos resultados.
Para alguns pais, esta fase de gritaria e questionamentos persiste um pouco mais: até a categoria adulto.
Chega-se o momento da decisão entre a quadra e o campo, alguns insucessos, desilusões e a opção definitiva ( até o momento ) de se continuar na quadra, ainda bem.
Isto porque a próxima fase, indica o verdadeiro aprendizado. Sai-se do time da escola, buscando-se algo mais sério. Chegamos aos clubes profissionais, com treinadores, preparadores, massagistas, etc.
Na realidade, tudo bonito mas sem dinheiro; somente amor a arte mesmo. Nesta fase, sub-15 em diante, definem-se os grupos que serão formados pelos futuros atletas ( ao menos propensos ) , os conformados com a falta de dom e finalmente os irremediáveis perseguidos pelos treinadores (os dispensados). Esta última categoria, perdura insistindo por mais 2 a 3 anos, quando finalmente sucumbem.
Os demais esforçam-se, tentando continuar na batalha.
Nesta altura do campeonato, virou profissão - ao menos aos olhos dos pais, que já enxergam os filho brilhando no exterior e com muito dinheiro na conta corrente.
Analisando-se friamente, já na sub-17, onde está meu filho, entendemos (nós os pais ) que o que vale mesmo é a prática esportiva, sadia, com amizades sadias, longe dos vícios e das péssimas companhias. Lembrem-se que os maus companheiros não praticam esportes e muito menos o apreciam.
A formação dos filhos foi brindada com o toque do treinador, do preparador físico, do massagista - aqueles mesmos citados anteriormente, que insistem por amor a arte.
Nós os pais aprendemos com os filhos que o importante realmente é competir e formar amigos, com disciplina e consciência.
As conseqüências vêm naturalmente. A interferência com os estudos, situação dramática e de difícil definição. Mas dá para compatibilizar.
Porém, aquela peneira do sub-13 ao sub-15, às vezes, por algum motivo, não filtrou algumas figuras raras, as quais perduram atrapalhando o bom andamento dos demais atletas e profissionais envolvidos. Pais brigões, atletas mal educados e indisciplinados, e algumas vezes até, indicados por algum influente personagem.
Mas a sociedade e o esporte acabam por passar uma peneira fina ainda antes do adulto. Desde que haja seriedade. O que nos resta é poder ter convivido nestes tempos e aliás, ainda conviver com os professores-educadores-treinadores, que além de ajudar na capacitação de nossos filhos, ainda complementam a nós mesmos.
Parabéns Prof. Junior, Prof. Vinícius e Equipe, os quais aprendemos a admirar, mesmo tendo opiniões diversas em alguns casos, mas que tão graciosamente podemos ter como amigos.
Grato por tudo que vocês fizeram e fazem por nós e por nossos filhos.

Júlio Vasconcelos. (Pai de atleta)

Importantes Brincadeiras

Ao chegar em um aniversário, em que, o aniversariante e a maioria de seus convidados, são crianças entre 10 e 12 anos, às quais em comum tem apenas um desejo na vida, tornarem-se um grande jogador de futebol. São meninos que jogam futsal formalmente, isto é, disputam campeonatos metropolitanos e estaduais, treinam dentro de uma freqüência semanal com um técnico a orientá-los. Então comecei a observar a primeira brincadeira destes meninos no aniversário, dentro de um campo de futebol com dimensões oficiais eles delimitaram um espaço, com seus tênis criaram as metas e começaram da maneira mais agradável e natural possível (descalços), a exercer aquilo que é mais sensato a crianças de suas idades, que amam o futebol, jogar sem limites, jogar com liberdade, jogar com alegria, criar, tomar decisões e sonhar. O jogo rolava de uma maneira espontânea, sem cobranças, sem seleção e principalmente com bastante interação, algo digno de uma maravilhosa brincadeira e para eles o futebol é isso, nada mais nada menos que uma divertida brincadeira, onde na maioria das vezes técnicos, professores e treinadores, procuram por incapacidade ou imposição de alguns, tirar das crianças esse direito.
Chegou o momento de cantar parabéns, num ritmo alegre e descontraído todos se voltaram à mesa do bolo, num desejo insaciável de acabar logo com aquilo e voltar para o futebol de imaginações e criações.
Praticamente atropelaram o bolo, algumas bebericadas num copo de refrigerante e, conseqüentemente, o retorno à brincadeira (futebol).
Como num passe de mágica a noite foi se aproximando, a luz do sol já não possibilitava mais a brincadeira predileta, diferentemente de suas passagens em jogos de metropolitanos e estaduais onde se tem um vencedor, com cobranças e muitas vezes um sentimento de culpa e incapacidade pela derrota, o fim da brincadeira deu-se feliz, não importava o resultado e sim a fantasia. “Você viu aquele tapa na bola que eu dei igual ao Falcão” ou, ”Pedalei igual o Robinho”.
Com o anoitecer, e os elementos naturais presentes naquele local, o esconde - esconde foi inevitável, nada mais criativo e de acordo com o momento e o espaço físico disponível, o bom e velho esoitecer, e os elementos naturais presentes naquele local, o esconde - esconde foi inevitável, nada mais criativo e de acordo com o momento e o espaço físico disponível, o bom e velho esconde - esconde, possibilitando às crianças um sentimento de liberdade, uma adaptação à realidade, e uma vivência prática de movimentos naturais (correr, saltar, andar), sem interferências, como no início, o término do aniversário foi marcado por outra importante brincadeira.

Vinícius dos Santos França
Especialista em Futsal e Técnico do Paraná Clube.




DVD com 17 jogos
para o treino do
contra ataque


Clique no livro e
peça o seu!


Ótimo preço

Peça já o seu e confira



   Supermercados Kusma