|

FUTSAL: ARTE X EFICIÊNCIA
Em texto anterior, fiz um breve comentário sobre
o futsal brasileiro, comparei com o futsal espanhol.
No Brasil, criou-se um mito de que jogar bola com os pés, seja:
futsal, futebol, beach soccer e etc., é dar espetáculo,
driblar, dar goleada, buscar o gol a qualquer preço, pois temos
os melhores jogadores do mundo.
A meu ver o jogo é tático (cognitivo), e esse jogo pensado
ganhou uma dimensão extremamente importante, pois faz-se necessário
medir as consequências de atacar de qualquer maneira, bem como a
consciência de defender bem, fatores que a Seleção
Hexa-campeã do mundo aprendeu ao longo desses três anos sob
o comando de Paulo César Oliveira o (PC), que aliás recebeu
muitas críticas pela sua maneira de comandar, maneira essa vitoriosa.
PC e sua seleção de (veteranos), como ouvi muitos comentarem,
mostraram para o mundo que estavam certos, com um jogo consistente de
muitas alternativas, aliado a jogadores de uma geração que
vinha sendo marginalizada por não terem vencido um mundial.
Maturidade não é velhice, cadência não é
lentidão, dedicação, coletividade e aplicação
tática é o caminho para o sucesso, parabéns a Seleção
Brasileira.
A COPA DO MUNDO DE FUTSAL
Vai começar o Mundial da FIFA, pela primeira vez
será disputada com 20 seleções.
O Brasil País sede luta pelo 6º título e para retomar
a hegemonia perdida há oito anos para a Espanha, atual bi -campeã.
Nós inventamos, popularizamos e mostramos para o mundo o antigo
futebol de salão e atual futsal, por conta disso o mundo aprendeu
a gostar e a jogar o futsal, aí fizemos um caminho pouco comum,
fomos para a Europa conhecer como o futsal lá é jogado,
diferente do nosso pela dedicação tática.
Nossa seleção dos 14 convocados, apenas 3 não jogaram
na Espanha, Falcão e os goleiros Rogério e Thiago, Ari e
Lenísio repatriados pelo Jaraguá atuaram por tempos fora
daqui, sobraram 9 jogadores que atuam na Espanha, lembrando também
que o goleiro Franklin é o atual reforço do Jaraguá
para a temporada 2009.
Penso que unimos a nossa técnica com a obediência tática
deles (espanhóis), para que possamos recuperar o hegemonia jogando
na nossa casa.
Sem comentar do nosso técnico PC de Oliveira que também
teve por lá, ensinando, aprendendo e estudando ainda mais nossos
adversários.
A sorte está lançada: Brasil, Espanha, Itália, Argentina,
Portugal, Rússia, Egito,.....Façam suas apostas!
Junior.
_______________________________________________
A inteligência tática
Em textos anteriores, disponibilizei na página,
o que entendo de: Jogo de ataque, jogo de defesa, e jogo de contra ataque.
Para que os jogadores realizem durante os jogos as ações
que cada uma das fases exige, é de fundamental importância
o desenvolvimento da inteligência tática, desde a iniciação.
Permito-me aqui diferenciar tática e estratégia.
O que é cada uma durante um jogo?
Estratégia: O que está previsto anteriormente.
Tática: A ação inteligente do jogador.
Exemplos:
- Estratégia - Marcação meia quadra, para explorar
o contra ataque.
- Tática - As ações que ocorrem durante a marcação
(indução da paralela, dobra, cobertura do ala oposto e etc.)
- Estratégia - Goleiro linha.
- Tática - Aproximação dos jogadores do fundo, bola
de profundidade, manutenção da posse de bola e etc.
Acredito que devemos dar ênfase para a estratégia a partir
da categoria sub -15, e nas categorias sub - 11 e sub - 13, desenvolvermos
a inteligência tática, realizando treinos que sejam baseados
nas situações do jogo.
Pensando nisso já algum tempo, desenvolvemos jogos das fases do
jogo, onde são propostas atividades que norteiam a tática
do jogo, com forte apelo no cognitivo, despertando assim o jogador inteligente.
No DVD jogos para o desenvolvimento da inteligência tática,
alguns desses jogos são apresentados, ilustrando a idéia
de uma preparação adequada para futuros jogadores, e para
jogadores já formados.
São comuns jogadores de equipes adultas apresentarem dificuldades,
nas diversas situações que o jogo traz.
Sugiro aqui que os treinamentos sejam diversificados e ricos como a diversidade
do jogo de futsal.
Professor Junior.
Técnico do Paraná Clube e das equipes Bom Jesus Curitiba.
O AMBIENTE DE UMA PARTIDA DE FUTSAL
Entendo que em uma partida de futsal, fazem parte do
jogo: As equipes envolvidas, a equipe de arbitragem, os torcedores (Pais,
dirigentes, amigos, familiares, simpatizantes e em alguns casos, a imprensa.)
Observo em algumas partidas que o jogo em si, em disputa, caracterizado
dentro da quadra pela tática presente o tempo todo, pelas estratégias
que em equipes bem treinadas se alternam em função das exigências
dos adversários, as vezes toma outro rumo, por conta de rivalidades,
opiniões formadas, agressões verbais e outros tipos de comportamentos,
deixando o esporte com um caráter pejorativo.
Observem que as vitórias são conquistadas dentro da quadra,
motivadas pela superioridade de uma equipe perante a outra, em consequência
de alguns fatores:
- Treinamentos adequados, realizados por um bom profissional, que também
dirige de forma adequada sua equipe.
- Qualidade dos atletas.
- Modo de preparação da equipe.
- Comprometimento da equipe.
- Boa aplicação tática e estratégica.
- Controle emocional.
Esses e outros fatores, deixam o ambiente do jogo saudável, é
bom lembrar que as derrotas não são causadas em função
de erros da equipe de arbitragem, pois isso seria um fato isolado, também
não discarto a possibilidade de erros acontecerem, mas é
bom que vejamos enquanto técnicos-Professores-educadores que o
jogo deve ser disputado dentro das quatro linhas, com lealdade, dignidade,
honestidade, garra e etc.
É evidente que fazem parte do resultado do jogo, atletas e comissão
técnica. Atletas respeitando as regras do jogo e os colegas, sejam
adversários ou companheiros. A comissão técnica usando
tudo que tiver ao seu alcance, principalmente uma boa preparação
e uma ótima leitura do jogo.
Professor Junior.
_______________________________________________
O JOGO DE ATAQUE
Atacar significa, progredir, vencer a defesa adversária
e finalizar.
Penso, como técnico, que praparar uma equipe para
atacar com qualidade, é uma tarefa difícel, sendo que os
jogadores devem adquirir alguns conceitos para que o jogo de ataque tenha
êxito sobre o adversário.
Para que isso aconteça, existem situações
que se apresentam no contexto do jogo, onde os jogadores realizam ações
individuais e coletivas.
Drible: Facilita o jogo por conta da superioridade numérica.
Tabela: Situação de troca de passe entre
dois ou mais jogadores, que facilita o ataque.
Consideramos que essas situações são importantes
para o jogo de ataque, mas que podem ser dificultadas com uma boa marcação.
Outras situações também importantes e facilitadora
do jogo de ataque.
Corta luz: Situação em que um jogador atrapalha
o marcador de um companheiro para que ele tenha uma vantagem no ataque.
Pisada: Onde um jogador sem posse de bola, aproxima-se
do jogador que está de posse de bola, passando por trás,
podendo receber a bola com a pisada, nessa situação deve-se
cuidar para que a defesa não dobre a marcação, recomenda-se
não repetir essa ação com freqüência.
Diagonal: Ação individual muito comum no
futsal, tem o objetivo que abrir a defesa adversária podendo o
jogador receber a bola ou simplesmente abrir espaço.
Paralela: Uma ação paralela a bola, onde
o jogador se projeta no espaço, também muito comum no futsal,
excelente ação de ataque.
Bola nas costas: Situação em que o atacante
se projeta nas costas do seu marcador para receber a bola, requer percepção
e velocidade de quem executa.
Quebra de marcação: Um jogador sem bola
se aproxima do jogador que está com a bola, para uma tabela, e
imediatamente vai para o espaço vazio, objetivando facilitar a
movimentação da sua equipe.
Troca de ala e pivô: O jogador que está
na ala se projeta no vazio, onde o pivô deixou livre, para ocupar
o espaço onde estava o ala. Nessa movimentação os
dois jogadores devem apresentar-se em condições de receber
a bola.
Incluio também: Balançar, entrar na bola,
criar linhas de passe, sair no espaço, aproximar-se, utilizar bolas
de profundidade (pivô), triangular, são ações
que fazem parte a todo momento do jogo de ataque e facilita o jogo. Aí
fica uma dica para prepararmos um treino de ataque, que seja rico em situações.
Muitas equipes usam os padrões de jogo para atacar,
uma ótima estratégia, e bastante eficiente. Vou além,
acredito que o jogador deva ter autonomia para criar, tomar decisões,
pois cada situação será diferente e a resposta que
o jogador tem que dar, será também diferente.
Aposto hoje, num jogo livre e organizado, não
dispenso, o quatro em linha, as quinas, e etc., mas quem cria é
o jogador, acredito ser esse o caminho para um bom jogo de ataque.
Professor Junior!!
______________________________________________
O JOGO DE DEFESA
A defesa, começa construção de ações
individuais as quais os jogadores precisam estar preparados para identificá-las
e usá-lasdentro da diversidade do jogo.
1 - Quando o adversário tem a posse de
bola:
Aproximação: (é a aproximação
ao jogador que está com a bola).
Abordagem: (diminui-se ao máximo o espaço
do jogador que está com a bola), importante não levar o
drible.
Indução do passe ou da condução (induz-se
o jogador a passar ou conduzir a bola onde sua ação de ataque
possa ser mais difícil ou para onde tenha uma cobertura).
Nessa situação devemos considerar dois tipos de abordagem:
Abordagem agressiva, onde será diminuido o espaço e procuramos
roubar a bola do adversário, a tendência de levar o drible
ou cometer falta é maior, os técnicos devem definir estratégias
para usá-la.
Abordagem passiva, neste caso aproxima-se do adversário cercando
o mesmo, diminui-se o risco de levar o drible e cometer faltas.
2 - Quando o adversário está sem
a posse de bola:
Retorno: (o jogador retorna acompanhando seu adversário,
ou retorna atrás da linha da bola fechando possíveis espaços).
Encaixe de marcação: (o jogador aborda
seu marcador, impedindo que receba a bola), importante acompanhá-lo
para não tomar bola nas costas.
Dobra: (o jogador abandona seu marcador e vai ajudar
seu companheiro que está marcando outro jogador que tem a posse
da bola, fazendo a situação de dois contra um).
Cobertura: (o jogador deve estar sempre atento quando
está marcando quem está sem a posse de bola, sempre bem
posicionado cobrindo os possíveis espaços de infiltrações,
principalmente quem está do lado oposto de onde está a bola.
3 - Quando o adversário recebe a bola
de costas para o gol:
Essa situação na maioria das vezes acontece com
o pivô.
Antecipação: (O jogador antecipa-se ao
seu adversário desarmando a jogada ou roubando a bola iniciando
um contra-ataque).
Marcação atrás do pivô: (se
o jogador que faz a função do pivô receber a bola,
não encostar, impedindo que ele faça um giro).
4 - Outras ações possíveis:
Carrinho: onde o jogador projeta-se em direção
a bola para travar o chute, não pode o adversário estar
de posse de bola.
Falta: um recurso para impedir o ataque, só em
último caso.
Todas essas ações individuais devem combinar
com a estratégia que a equipe vai usar na sua defesa, tipo de marcação,
isso depende de alguns fatores, tais como:
Equipe adversária;
Momento e situação do jogo;
Tamanho da quadra;
Condição física e etc.
Essas ações defensivas individuais devem
ser treinadas, procurando nos treinos a realidade do jogo.
Veremos os tipos de marcação existentes
na prática e nas literaturas:
Começamos pelas linhas de marcação, que corresponde
a que região da quadra marcar.
Linha 1: Marcação na quadra de ataque,
próximo a área do adversário.
Linha 2: Marcação entre a área do
ataque e a meia quadra, depende das dimensões da quadra.
Linha 3: Marcação próxima a linha
central da quadra, pode variar um pouco a frente ou atrás da linha,
dependendo do tamanho da quadra.
Linha 4: Marcação atrás da meia
quadra. Mais próxima à área de meta defensiva, também
depende do tamanho da quadra.
Marcação Individual: onde o jogador que
está marcando acompanha seu adversário por toda a quadra.
Existem as trocas nesta marcação, onde os jogadores se comunicam
dentro da quadra e fazem as trocas, geralmente comandada pelos jogadores
que se posicionam por último da defesa. É muito importante
que os jogadores iniciantes aprendam a marcar individualmente, realizando
as ações citadas acima.
Marcação por zona: onde os atletas marcam
os setores da quadra, fechando as linhas de passe, fazendo coberturas,
dobras, induzindo bola e ou jogador.
Escolha e aprimore sua defesa sempre respeitando as condições
da sua equipe. Boa sorte e um ótimo 2008.
Professor Junior!!!
AS CONQUISTAS DE 2007
Nesse último texto de 2007, pretendo fazer uma
retrospectiva de tudo que aconteceu.
O primeiro fato marcante foi à saída da equipe paranista
da taça ouro, com atletas e comissão técnica levando
um susto, mas depois desse fato, só veio coisa boa.
A começar pela conquista da Taça Paraná sub 20, logo
após a Taça Paraná sub 17, as duas com muito trabalho
e empenho de todos, graças ao apoio do nosso patrocinador máster
a VALE FÉRTIL, que através do Sr. José
Luiz nos deu todo o apoio necessário, não só financeiro,
mas com muito incentivo às decisões tomadas e o reconhecimento
do trabalho, assim como o Duda, nosso gerente de esportes do PARANÁ
CLUBE e ao Adam nosso supervisor que não mediram esforços
para que tudo funcionasse bem fora das quadras, sendo imprescindível
para que tudo caminhe bem.
A UNIFAE, Centro Universitário Franciscano nos
deu um apoio também muito relevante com os transportes, que através
do Jorge Martins e do Fabiano Prado, acreditaram na parceria de muito
sucesso.
Aí vieram as Taças Curitiba e o campeonato metropolitano
com cinco títulos conquistados dos seis em que participamos. Falar
dos atletas e relacioná-los aqui, o texto ficaria muito extenso,
mas quero agradecê-los de coração, pelos laços
afetivos que marcam uma jornada de trabalho.
Com as equipes do BOM JESUS, é muito gratificante
trabalhar com alunos responsáveis, dedicados e comprometidos com
o esporte (futsal), e depois sermos reconhecidos pelos resultados e pela
evolução que acompanho dia a dia nos treinos, evolução
essa não só aspecto técnico tático, mas nas
tomadas de decisão, na autonomia, na consciência de grupo.
Com a confiança da Juruá editora, pude lançar meu
novo livro: Futsal: aquisição, iniciação e
especialização, onde o Jorge e o Fabiano mais uma vez me
deram total apoio realizando no dia 18 de maio a noite de autógrafos,
inesquecível para mim.
Os jogos da juventude vieram ratificar o trabalho, e na aposta feita nos
atletas em que confiamos, o título veio e de forma invicta, vencemos
todas as partidas de uma competição de altíssimo
nível, com as melhores seleções municipais, os nove
dias em Paranavaí foram de muito crescimento e aprendizado na convivência
com a toda a delegação de Curitiba, não posso esquecer
aqui de agradecer o trabalho dos Professores Vinícius e Marquinhos,
que prepararam a equipe de forma brilhante.
Fechamos o ano com os títulos do campeonato metropolitano de Curitiba,
sub 17, o hexa campeonato juvenil (sub 20) e o Bi campeonato adulto, vale
ressaltar que somente um jogador é adulto, o Marcos Loureiro Pius
(Marquinhos).
Quero também agradecer ao pessoal da SMEL que a mim confiou ministrar
um curso de aperfeiçoamento de futsal aos Professores da rede municipal,
a UNIUVE de União da Vitória ao convite para ser docente
do curso de futsal da semana acadêmica e a UNIFAE onde ministrei
uma parte do curso de capacitação em futsal.
Desejo sucesso e uma ótima recuperação ao Marcos
Muchinski (Marquinhos) e que em breve esteja na ativa nos ajudando nos
desafios de 2008.
E por último e com muito pesar quero partilhar a minha tristeza
pelo falecimento do Professor RICARDO LUCENA, com ele aprendi sobre futsal,
aprendi sobre caráter, aprendi sobre profissionalismo, ele foi
quem me inspirou a escrever o Jogo do futsal, tive a sorte de fazer vários
cursos que ministrou, e com ele fiz a minha pós-graduação
em 1991 e não esqueço até hoje muito que ele me ensinou,
fique em PAZ e de PAZ a sua família.
Obrigado a todos em que convivi em 2007 e que todos tenham um Feliz Natal
e um 2008 cheio de realizações.
Lembrem-se "Tudo posso Naquele que me fortalece".
Professor Junior.
______________________________________________
AS FASES DO JOGO
No futsal, jogo eminentemente tático, distingo
três fases, que durante as partidas acontecem o tempo todo, são
elas: Ataque, defesa e contra ataque.
Essas fases são distintas, porém acontecem quase que juntas,
ligadas pela recuperação e perda da posse de bola, que são
as transições entre: ataque-defesa e defesa e ataque.
Cada fase deve ser treinada para que os elementos táticos sejam
desenvolvidos e aprimorados.
Na fase de ataque podemos incluir todo os sistemas ofensivos,os padrões
de jogo, as manobras de tiro de meta, saídas de meio, escanteios,
laterais, faltas e goleiro linha ou linha goleiro (jogador da linha que
vai para o gol).
Na defesa o sistema defensivo temos a marcação individual,
a marcação por zona e a mista, que impedem a progressão
adversária em direção a meta, e as manobras de bolas
paradas.
A transição do ataque para a defesa (que acontece após
a perda da posse de bola), também faz parte da defesa, onde o jogador
deve retornar e reagrupar atrás da linha da bola ou encaixar a
marcação.
O contra ataque, transição da defesa para o ataque, depende
de uma boa defesa, pode ser induzido ou acontece por um erro de ataque
do adevrsário, caracteriza-se por um ataque rápido onde
a defesa está comprometida, pode ser: por igualdade numérica
(um contra um ou dois contra dois), ou por superioridade numérica
( dois contra um ou três contra dois).
Sugiro que os objetivos dos treinos sejam pautados nas fases do jogo,
onde desenvolveremos a inteligência tática do jogador.
Nos próximos textos pontuarei o que entendo da cada uma das fases
do jogo.
Abraço!
Junior.
______________________________________________
A POSTURA DO TÉCNICO
Dia desses estava dirigindo a equipe sub 20 do Paraná
Clube na Taça Curitiba, o adversário considerado inferior,
(não acredito nisso), em todo primeiro tempo enfrentamos dificuldades,
por conta da apatia em que jogávamos.
Quando pensei em cobrar motivação dos atletas, me dei conta
da postura que estava adotando. Estava sentado e procurando assistir a
partida, passava orientações, fazia as substituições
que na minha visão eram necessárias.
Pensei Comigo: - Os atletas estão me vendo sentado, será
que estão pensando que estou sem interesse pelo jogo? Acabamos
de voltar da Taça Paraná, onde passei em pé instruindo
a equipe o tempo todo e jogando com eles, e tivemos sucesso, conquistando
o título, e sem ser o favorito.
Apesar de acreditar que os atletas devam ter autonomia para jogar, de
não concordar com atitudes escandalosas de técnicos, que
gritam o tempo todo, xingam, brigam com árbitros, dão um
show a parte, pensei no treino, onde atuo de forma dinâmica, cobrando
o tempo todo, corrigindo, elogiando.
Comentei com nosso preparador físico e mudei a postura, coloquei-me
em pé participando mais ativamente do jogo, e a postura da equipe
mudou, vencemos com certa facilidade.
Sempre procuro trabalhar o treino com qualidade, mais próximo da
realidade do jogo, pois depende dele (treino) o que a equipe fará
durante a partida, a tática, a estratégia, acertos, erros,
talvez os atletas, esperem dos técnicos, a mesma postura adotada,
por nós, nos treinos.
É uma situação a ser pensada.
Até a próxima.
Professor Junior.
______________________________________________
BANCO DE RESERVAS OU BANCO DOS RESERVAS
O futsal, com o passar dos anos, em função
das movimentações tornou-se mais veloz, que por outro lado
exige mais da marcação, logo o preparo físico faz-se
indispensável.
Mesmo com um bom preparo físico, dificilmente um jogador consegue
jogar o tempo todo, nem o craque da equipe, e isso é facilmente
observado nas grandes equipes, as substituições são
constantes e faz com que os jogadores possam recuperar os desgastes do
jogo, ouvir instruções e etc.
Alguns técnicos usam as substituições como parte
da estratégia do jogo, como faz a Malwee de Jaraguá do Sul
(SC), que a cada 5 minutos troca seus jogadores.
Considero que o jogador que está no banco entra com funções
bem definidas:
- Substituir um jogador que está tendo um bom desempenho e precisa
descansar.
- Substituir um jogador que não está agradando seu técnico.
E as equipes de base como usam o banco de reservas?
Nos jogos que assisto dos campeonatos oficiais aqui do Paraná,
observo que:
As substituições ocorrem em função:
- Do placar, quando estão ganhando com o placar elástico
ou quando estão perdendo e não tem chance de virar o jogo.
- Do tempo do jogo, substituem faltando 1 minuto ou menos.
- Em relação à quantidade de crianças no banco
de reserva, a regra permite sete jogadores, e alguns campeonatos até
mais, os técnicos enchem o banco, mas utilizam dois ou três.
- Pressão dos Pais, que ficam na arquibancada gritando para o técnico
colocar seu filho.
Penso que através do futsal, devemos preparar
as crianças para que tenham igualdade, saibam que todos são
importantes, mesmo sabendo que uns são melhores que outros. Definir
uma estratégia para isso, é função de cada
técnico.
O correto é que o esporte (futsal) deve andar lado a lado com a
educação, preparar a criança para a vida.
A respeito do futuro da criança no futsal, vejo que só terão
condições de jogar futuramente se participarem dos jogos,
aprendendo a dividir responsabilidades, adquirindo experiência e
confiança.
Afinal o banco é de reservas ou dos reservas?
Grade abraço!
Professor Junior.
A INTELIGÊNCIA TÁTICA
Como é bom ver as equipes grandes de futsal atuarem,
obervamos jogadas (não as ensaiadas), que nos fazem pensar como
os jogadores as executam, e aí pensamos então no treino,
é do treino tudo que se faz no jogo.
Considero que a tática é diferente da estratégia
que a equipe adota perante adversários, competições
e etc. A tática está relacionada com o que os jogadores
vão fazer dentro do jogo. Posso citar exemplos como na defesa,
durante a abordagem no adversário vou induzi-lo para ala ou para
o meio, sem bola, fecho espaço, encaixo a marcação,
faço uma cobertura.
Essas ações correspondem a tática que os jogadores
devem executar, e a partir daí a estratégia da equipe.
Bem o que quero dizer é que somente o treino possibilita o desenvolvimento
dos jogador inteligente, e vou mais longe, eles devem ser desenvolvidos
através de jogos, que possibilitem situações que
levem o jogador a pensar no que está fazendo e por que está
fazendo.
A literatura nos mostra que esses treinos são voltados para o desenvolvimento
das capacidades cognitivas, onde o grande desafio é desenvolver
o jogador que tenha uma leitura do jogo, que seja inteligente taticamente.
Posso afirmar que essa metodologia adotada terá um resultado mais
demorado, mas muito mais eficiente, estou trabalhando assim há
certo tempo, e o resultado vem, as vezes demora, mas é certo.
Juntamente com os Professores Wilton Santana e Vinícius França
fizemos a gravação de jogos de ataque, defesa e contra ataque,
que logo estaremos disponibilizando em três DVDS para a comercialização.
Deixo claro que respeito o trabalho de todos, a intenção
é ampliar horizontes para que o crescimento do futsal continue
a passos largos.
Até breve!!
Roulien Junior.
AS BRINCADEIRAS DO TEMPO DO "REI"
Bons tempos aqueles em que o futebol era visto como mais
uma brincadeira de criança, bricavam de jogar bola, assim como
soltar pipa, bolinha de gude e etc. Jogavam bola na rua, nos campinhos
que as próprias crianças construiam, num quintal, em qualquer
lugar onde dava pra rolar a bola.
As bolas eram de capotão ou qualquer material circular, jogavam
de kichute, conga, bamba ou mesmo sem tênis, como era bom jogar
bola (termo usado para brincar de futebol).
Tudo mudou, entendo que não temos lugares onde as crianças
possam brincar livremente, principalmente nas grandes cidades, mas temos
milhares de escolinhas de futebol e futsal espalhadas por aí.
No meu papel de técnico, Professor e educador, acredito em aulas
e treinos mais interessantes, as aulas que acompanho, até por conta
da minha profissão, na maioria, são divididas em:
- 1ª parte: Alongamento.
- 2ª parte: Corrida em volta da quadra ou campo.
- 3ª parte: Exercícios de fundamentos ( o Professor passa
o fundamento e o aluno executa).
- 4ª parte: Coletivo.
Não estou aqui questionando o trabalho de ninguém, mas procurando
opinar sobre outras formas de atividades, em que as crianças possam
também brincar de jogar bola.
Com certeza Pelé, Garrincha, Didi, Tostão, Zico e etc.,
aprenderam a jogar futebol e foram grandes craques, brincando de jogar
bola.
Sugiro que brincadeiras que foram inventadas pelas crianças possam
fazer parte dessas aulas. João Freire, em Pedagogia do futebol,
cita que os brasileiros aprenderam jogar futebol com quatro brincadeiras
básicas:
1 - Bobinho.
2 - Controle.
3 - Rebatida ou disputa.
4 - E a pelada.
Todas desenvolvem os fundamentos e ainda mais, a criatividade e o pensamento
cognitivo.
Ainda existem outras brincadeiras:
O gol a gol, o linha, o artilheiro, a disputa de pênalti e etc.
Penso que como citei no texto "si contra si", o Professor tem
um papel fundamental nas brincadeiras, pode deixá-las mais interessante,
fazer com que elas sejam mais equilibradas e organizadas.
Acredito também em aulas e treinos voltadas para os jogos, onde
desenvolvem o pensamento tático cognitivo, mas isso é assunto
para o próximo texto.
Até breve, Professor Junior.
A COERÊNCIA DO FUTSAL NO PAÍS
DO VOLEIBOL
Há um certo tempo tenho comentado com colegas
de trabalho, que o BRASIL é o País do Vôlei, pois
ganham tudo no masculino e agora também no feminino, além
do volei de praia.
A rede globo no programa globo esporte começou a fazer programas
com o mesmo título, mostrando o treinamento, as novas tecnologias
que são desenvolvidas para melhorar o desempenho das seleções.
Minha idéia ainda está longe das seleções
do Brasil de voleibol, a minha idéia e a conclusão que cheguei
que o Brasil é o País do Vôlei está na formação.
Faremos uma comparação da iniciação do Voleibol
para o Futsal. As crianças no Futsal iniciam a partir dos 04 anos,
e já estão nas quadras competindo como adultos, tudo igual,
menos o peso, o tamanho da bola e o tempo do jogo.
Os treinos, fiz observações em vários clubes, preferi
assim em vez de pesquisar, são parecidos, parece que há
um protocolo, aprender fundamentos, treino técnico, treino tático,
tarefas a realizar, jogadas, saídas de bola, tudo igual aos adultos.
Veremos a coerência entre o Futsal e o Voleibol:
O Voleibol inicia-se a partir dos 09 anos (projeto REXONA em Curitiba),
começam com o mini voleibol, um contra um, dois contra dois. A
primeira competição é com 12 anos (como recomenda
a literatura), e jogam o chamado quatro por quatro e em forma de festival,
vejam que não há especialização.
No futsal com 12 anos as crianças já tem de 7 a 8 anos de
competição formal, com posições definidas,
goleiro, central, alas e pivô.
A primeira competição formal do voleibol se dá por
volta dos 13 anos e por conta da regra, jogam no sistema 6.0, não
há especialização, depois jogam no sistema 4.2, e
com 15 anos podem jogar no sistema usado pelos adultos o 5.1.
Essas regras com certeza fazem com que os praticantes do voleibol cheguem
na especialização, melhores preparados, vivenciaram as posições
e o melhor sabem fazer as funções que serão especializados,
daí na minha opinião entra o trabalho do alto nível
do esporte, rendimento.
No futsal com 15, 16 anos temos vários adolescentes desistindo
de jogar, por conta de cobranças, excesso de treinos, muitas conquistas
e outras razões.
Deveríamos encontrar jogadores inteligentes quanto a leitura do
jogo, autônomos, que joguem livres e organizados, que dêem
conta das exigências do jogo complexo que é o futsal.
Acredito que o que faz o voleibol ser tão vitorioso não
está somente relacionado a eficácia e competência
das nossas seleções, mas também da onde saem esses
atletas, é o que o Futsal tem que começar a fazer. Penso
assim há muito tempo.
Pensem nisso! Junior.
O PAPEL DO ESPORTE
Convivo diariamente com crianças, adolescentes
e adultos, praticantes do futsal.
No dia a dia observo que a procura pelo futsal por crianças, se
dá por vários motivos. Podria aqui identificá-los:
1º - Oferecem treinos(aulas) a partir dos 4 anos.
2º - Existem muitos locais que ofertam essas aulas, escolinhas, escolas,
clubes e etc.
Ouço propagandas que ofertam treinos a partir dos 3 anos de idade
e métodos inovadores........
3º - Começar a jogar (competir) a partir dos 6, 7 anos e em
alguns estados dos 4, 5 anos.
4º - Jogar futsal até uma certa idade e depois passar para
o futebol de campo.
Ainda poderia acresentar, o lazer através do futsal, a prática
de uma atividade esportiva. E ainda há aquelas crianças
que querem ser jogadores de futebol (não futsal).
Não vejo nenhum poblema em crianças alimentarem seu sonho,
desde que esse sonho não torne a única perspectiva de futuro
para as crianças.
Fiz uma retrospectiva das equipes menores que dirigi desde meu início
de carreira e encontrei o seguinte quadro, contando que cada equipe tinha
em média 15 jogadores.
1977 - 1978 - 1 jogador de futebol
1979 - 1980 - 1 jogador de futebol
1981 - 1982 - 2 jogador de futebol
1983 - 1984 - nenhum jogador de futebol
1985 - 1986 - 2 jogador de futebol
1987 - 1988 - nenhum jogador de futebol
1989 - 1990 ALGUNS BUSCANDO SEU ESPAÇO.
A surpresa é que nenhum dos meus ex-atletas tornaram-se
jogador pofissional de futsal no Brasil, poderíamos chegar a várias
conclusões. Mas para nossa surpresa jogando profissionalmente na
Itália temos 10 jogadores.
Mas encontramos vários professores, médicos,
advogados, engenheiros, arquitetos, fisioterapeutas e etc.
Não posso afirmar que todos tiveram a intenção
de serem jogadores profissionais, mas alimentaram pelo menos um pequeno
sonho.
Minha preocupação é o papel do esporte (futebol e
futsal) que deve ser praticado como meio e não como um fim, abrindo
mão da infância, dos estudos da responsabilidade, da solidariedade,
da igualdade, da humildade.
Professor Roulien Junior.
O TREINADOR
Tive o prazer de ler um artigo do seminário internacional
de treino para jovens: Os grandes treinadores são grandes comunicadores
e motivadores, escrito por Rainer Martins (Psicólogo do esporte
- EUA).
O autor cita três razões que podem levar o treinador ao exercício
da função:
1º - Ganhar.
2º - Ajudar os praticantes a ter prazer na atividade.
3º - Contribuir para o desenvolvimento dos jovens do ponto de vista
físico, psicológico e social.
Acrescentaria aqueles que ainda trabalham pelo dinheiro que recebem, que
é óbvio que assim deva ser, mas estes não se entregam,
não se dedicam, não procuram melhoras em seu trabalho.
Fazendo uma ponte para o futsal, vejo que a união dessas razões
é perfeitamente possível, e quando elas terão que
ser dissociadas acredito que o ganhar, em se tratando de jovens fica em
terceiro plano, de nada adianta a vitória sem o prazer pela prática
e sem o desenvolvimento das crianças, vejo muito isso no futsal
dos iniciantes, treinadores que querem se promover às custas de
títulos de categorias menores, sub 07, sub 09.
Ainda relacionou alguns tipos de treinadores:
- O autoritário. Todas as decisões são
suas, sabe tudo.
- O permissivo. Os praticantes fazem tudo que querem,
ele permite tudo.
- O democrático. Permite que todos tomem decisões
juntas, as que melhores se encaixam no grupo.
- O treinador das más notícias. Esse é
incapaz de elogiar, só trás coisas ruins.
- O treinador juiz. Os praticantes são culpados,
eles falam que está errado, mas não indicam a maneira certa.
- O inconstante. Briga com um atleta por determinada
situação, mas a mesma situação cometida pela
estrela do time, passa em branco.
- O treinador fala barato. Só fala e não
ouve, nunca dá a oportunidade de alguém falar.
Alimentado pela observação em jogos de futsal que assisto
e que atuo, ainda acrescentaria:
- O treinador narrador. Aquele que narra o jogo inteiro,
os atletas não sabem o que fazer: Fica na beira da quadra gritando
tudo o que ele quer que os atletas de seu time faça, passa, chuta,
não, toca ali, volta, calma, vai e etc... Não sei para que
serve o treino.
- O treinador jogador, ele diz: Eu ganhei do fulano,
o jogo foi um a zero para mim.
- O treinador egoísta. Eu ganhei, eles perderam.
- O treinador Gurú. Sabe tudo que os adversários
vão fazer, mas parece que dá o treino na hora do jogo, mesmo
sabendo tudo a equipe não consegue jogar da maneira que ele quer.
Você se encaixa em alguns desses, às vezes não nos
enxergamos, mas devemos refletir, e ver nossos objetivos, saber reconhecer
e principalmente buscar melhoras para nossos dias, principalmente em treino
para jovens.
Um abraço!
Professor Junior.
A CAPITAL E O FUTSAL
Década de 80, noite de quinta-feira, ginásio
do Círculo Militar, um grande jogo pelo campeonato metropolitano,
Didu, Zequinha, Ike, Selmar, em quadra um desfile de craques que alimentaram
grandes equipes do Brasil e Seleção Brasileira.
Não contentes com o domínio do Círculo militar algumas
empresas, como: Candeias e Unibox, investiam no futsal. O Unibox trouxe
em 1996 um técnico do Rio de Janeiro, nada menos que Fernando Ferretti,
isso mesmo, ele esteve por aqui, e com eles jogadores que o próprio
técnico trouxe, resultado, campeão estadual.
O Candeias, com Vaguinho e Toninho, puxavam a fila dos jogadores paranaenses
do interior do estado, que invadiram nossa capital, que resultou na conquista
da Taça Brasil Juvenil de 1997 no Rio de Janeiro.
E o investimento não parou por aí, ainda passaram pela nossa
capital, Manoel Tobias, Carlinhos Mantovaneli, hoje o Mantovaneli da seleção
italiana, Danilo, campeão mundial de futsal em 1996, Anderson e
muitos outros craques que por aqui estiveram.
E nos restou, depois do Clube Curitibano, último clube da capital
a brigar e conquistar um título estadual, ver alguns heróis
correrem atrás de algum tipo de incentivo e apoio para que a capital
do estado do Paraná tenha um futsal forte. Agradeço aqui
alguns "heróis" da Paraná Clube, como o seu Presidente,
José Carlos de Miranda, o Justo da Ate & Teto, o Duda, gerente
de esportes, seu Aurival depº financeiro, e alguns colaboradores,
como o Franco de Paula, Claudinei dos Santos, que ajudam a manter a chama
do futsal acesa, oportunizando torcedores, técnicos, profissionais
da área da educação física e amantes do futsal,
a verem a capital entre os grandes do nosso estado.
Longe daqueles campeonatos metropolitanos, que eram disputados por dez,
doze equipes, na categoria principal, aspirante e juvenil, estamos privados,
há muito tempo de um futsal de alto nível, e nos curvamos
diante do oeste do estado, que a mais de 10 anos predominam como campeões
estaduais.
Professor Junior
_____________________________________________
SI CONTRA SI
- Papai, eu dei uma pedalada no Pedro, daí veio
o Rodrigo eu dei uma lambretinha, o Luiz saiu eu dei de cobertura, foi
um golaço.
Esse tipo de conversa ouço diariamente, por conta do meu filho
João Pedro de sete anos, o futebol é sua brincadeira preferida,
que é jogado num pedaço de grama, num corredor, no pátio
ou até numa quadra de futsal, não importa, assim como também
não importa o que serve de bola, uma latinha amassada, uma bola
feita de jornal e sacola de mercado (as faço com freqüência),
uma bola dessas promocionais que existem por aí, e até mesmo
uma bola de futebol ou futsal, o que importa é jogar, é
brincar, fantasiar.
É claro que a narrativa do gol que fez, para uma criança
de sete anos é pura fantasia, mas essa fantasia é perfeitamente
permitida, assim como foi para nós adultos, que um dia também
sonhamos em fazer jogadas fantásticas.
Na minha função de Pai e de Professor (Técnico de
Futsal), dei corda a conversa, procurando saber como foi o tal jogo. Imaginava
duas equipes cada uma com seu goleiro, poderia ter vários meninos
para cada time, e que jogavam num campo ou numa quadra.
Inicei a conversa:
- Quem era seu time?
- Não é de time.
- Então, como é?
- É si contra si.
- Como assim?
- Tem um goleiro, ele solta a bola e é si contra si.
- Quem venceu?
- Não é de ganhar, eu fiquei com dois gols, o Rodrigo com
3 o Pedro com 1, não fiz mais por que o juiz robou, não
deu uma falta em mim.
- Mas tem juiz?
- Tem, é o goleiro, ele que da falta.
- E quem escolhe o goleiro?
- Quem quiser vai no gol.
- Onde vocês jogaram?
- No bosque.
- Mas tem um campo lá, com trave?
- Não Pai, tem duas árvores, e a gente finge que é
o gol.
- Ah, bacana né?
- Eu adoro jogar si contra si, só que passa muito rápido.
Assim como no nosso tempo, as crianças continuam
inventando suas brincadeiras de futebol.
Este texto poderia parar por aqui, mas pontuei alguns pontos positivos
e negativos dessa brincadeira.
Positivos:
Do ponto de vista técnico, as crianças desenvolvem
a condução de bola, o drible, a marcação,
o chute e ainda quem tiver vontade de ser goleiro pode ser.
A socialização, a verbalização, o prazer,
a fantasia do jogo, o lúdico, e ainda se interagem com respeito
as decisões tomadas pelo juiz(goleiro).
Todos jogam por prazer ao jogo.
Negativos:
Privilegia os melhores, um jogo totalmente individual(pela característica
da faixa etária).
Os líderes terão uma tendência de dominar as questões
conflitantes, as faltas, se foi ou não gol e etc.
Muitas crianças jogando juntas, pouco contato com a bola.
Numa visão de Professor, podemos aplicar uma pedagogia
para transformar esse jogo, sem que ele perca a essência, e incluí-lo
nas nossa aulas.
Pensei no mínimo, em duas situações:
- Dividir as crianças em vária equipes, 3 ou 4 crianças
em cada equipe com vários campos ou quadras para jogar (jogo reduzido).
- Dividir as crianças em equipes, com o mesmo número de
traves, e cada equipe terá uma bola para jogar.
Poderemos criar, assim como as crianças, e atender as necessidades
que elas tem em brincar transformando brincadeiras de futsal/futebol em
aulas, que também desenvolvem técnicas.
Como professores, vamos ajudar as crianças a (re)inventar
brincadeiras de futebol/futsal.
Professor Junior.
_____________________________________________
Ganhei o jogo!
“A vitória foi suada, com muita garra e vontade, conseguimos
vencer ”.
Esse seria o final de jogo que todo técnico gostaria que acontecesse,
mas infelizmente só uma equipe pode ser vitoriosa em relação
ao placar do jogo.
Considero que para as categorias: sub11, sub13 e sub 15, existe uma outra
vitória, a vitória do processo de ensino apredizagem, apesar
da derrota, o que a equipe apresentou ou apesar da vitória, o que
a equipe apresentou.
Algumas equipes em função de resultados ou até de
promoção de seus treinadores, trabalham com uma visão
simplista de resultado, esquecem que a formação é
o objetivo, não apenas formação técnica e
tática, mas a formação do caráter, dos valores
do ser humano, essenciais para a vida, que por sinal, o esporte agrega
e muito bem.
Fico entristecido ao assistir jogos das categorias citadas anteriormente,
onde procuro as especificidades inerentes ao futsal, situações
táticas que envolvem a formação, e o que observo
é o “jogo do balão”. Explico, o goleiro pega
a bola e a joga para frente, para o pivô, as vezes dois pivôs,
não existe o raciocínio do jogo, tabelas, triangulações,
troca de passes, coberturas, dribles e etc.
Em outras situações o futsal se transforma no jogo do chutão,
chutão para lá, chutão pra cá.
Acredito que quem trabalha e está disposto a ensinar futsal, e
ensinar bem a todos, deve optar pelo trabalho de formar o jogador (indivíduo)
inteligente, qualquer que seja o sistema escolhido, o método do
trabalho a pedagogia aplicada, é dever do Professor fazer o melhor
para os alunos, assim cumpriremos nosso papel de educador.
Junior.
|
O |